Chuvas atípicas desafiam cafeicultura e exigem cuidados com a safra em MinasFoto: Agência Minas

A colheita do café enfrentou obstáculos climáticos em 2026 em razão de precipitações volumosas que alteraram o ritmo dos trabalhos e influenciaram o estado dos grãos. Conforme dados divulgados pela Agência Minas, registros da estação meteorológica do Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Três Pontas, indicam que o acumulado entre maio e julho atingiu 141 milímetros. O índice é substancialmente superior ao verificado no mesmo intervalo em 2022 (11 mm), 2023 (35 mm), 2024 (12 mm) e 2025 (47 mm).

Segundo a pesquisadora da Epamig Vanessa Figueiredo, a umidade fora do padrão durante os estágios de desenvolvimento e colheita provocou alterações na fisiologia das lavouras, como floradas em períodos incomuns, além de prejudicar as etapas operacionais de colheita e pós-colheita. A retenção prolongada de água no solo atrapalhou o trânsito de máquinas e trabalhadores, acelerou a queda dos frutos e favoreceu a permanência da broca-do-café, uma das principais ameaças às plantações.

Atenção sanitária e segurança dos grãos

A demora para recolher a carga do chão e despolpar os frutos na planta eleva a vulnerabilidade à ação de microrganismos deterioradores e potenciais formadores de micotoxinas. Uma das maiores preocupações para a segurança do alimento é a ocratoxina A (OTA), gerada por determinadas espécies fúngicas.

A pesquisadora aposentada da Epamig Sara Maria Chalfoun pontuou que grãos com defeitos, notadamente os ardidos e pretos, trazem maior probabilidade de abrigar esses fungos e demandam monitoramento detalhado em frações com altos índices de catação. A especialista reforça a urgência de manter medidas de controle preventivo desde a lavoura até as fases de beneficiamento, classificação, transporte e armazenamento.

As pesquisadoras apontam ainda que a detecção de ocratoxina A depende exclusivamente de avaliações técnicas em laboratório, de modo que grãos inferiores não significam necessariamente contaminação confirmada. A recomendação central recai sobre o cumprimento de Programas de Boas Práticas de maneira integrada por todos os elos do setor cafeeiro, assegurando que o padrão sensorial e a sanidade do produto cheguem preservados ao consumidor final.

Com informações de Agência Minas

Texto produzido com auxílio de inteligência artificial e revisado pela redação.