O Festival do Rio entra em seu último fim de semana com a expectativa de ultrapassar o público de 140 mil pessoas registrado na edição anterior. A programação geral reuniu mais de 350 filmes distribuídos por 28 salas e espaços culturais na capital fluminense e em Niterói, entre 1º e 11 de outubro.
Destaques do cinema nacional
A seleção brasileira trouxe produções como Justino: Nos Bastidores do Reino, dirigido por José Eduardo Belmonte. O longa retrata a jornada de um jovem da periferia que ingressa na carreira religiosa e aborda temas como fé, poder e intolerância entre as décadas de 1960 e 1990.
O produtor Nilson Rodrigues avalia que o projeto retrata transformações históricas importantes no país. “É um filme necessário, fundamental para entender o processo cultural do país nas últimas décadas e o crescimento do universo neopentecostal. Uma história real, vista por Mário Justino, que viveu e viu por dentro como se formou um dos maiores impérios do neopentecostalismo no Brasil”, afirma o produtor.
Sobre a circulação de obras brasileiras, Rodrigues acrescenta: “Esse festival é fundamental para o cinema brasileiro. No ano passado, participamos com o filme Honestino, o que foi muito importante para ampliar sua divulgação e impulsionar o lançamento nas salas de cinema”.
Formação de novas plateias
A diretora do evento, Ilda Santiago, comentou durante uma sessão de gala sobre o desafio de atrair o público jovem para produções que abordam as angústias dessa faixa etária. “A gente tem poucos filmes que conversam sobre a vida dos nossos jovens e todas as angústias que isso significa. Conquistar o público brasileiro para estes filmes não é fácil. Demanda dedicação, risco e fé”, avalia.
Entre os títulos voltados a esse público está As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, de Diego Freitas, estrelado por Any Gabrielly e Giulia Be. A trama acompanha uma jovem que recebe cartas com desafios deixados pela melhor amiga após sua morte.
Atração internacional e mercado
A programação também contou com a presença do diretor iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars, que apresentou Contos Paralelos em sua primeira visita ao Brasil.
Na área de negócios, o RioMarket promoveu debates sobre o impacto econômico da indústria audiovisual. Walkiria Barbosa, diretora do festival e do Rio Market, apresentou dados sobre o setor. “O setor movimentou R$ 81,1 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números são de um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF)”, ressalta a diretora do Festival do Rio e do Rio Market, Walkiria Barbosa.
Ela também destacou a função estratégica do evento para o mercado. “Nesse contexto, festivais como o do Rio contribuem para dar visibilidade às obras, aproximar realizadores de agentes do mercado e estimular oportunidades de negócios”, disse Walkiria.
Fonte: Agência Brasil - Cultura
